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Educação | Núcleo Mãe Maria

Não se pode servir a Deus e a Mamon

Mateus 6:24 e Lucas 16:13, Cap. XVI do ESE

Nessas duas passagens de seu Testamento, Jesus nos faz notar que não é possível servir a Deus e a Mamon. Vamos refletir um pouquinho sobre esse alerta e comecemos por esclarecer quem ou o quê é Mamon.

As primeiras notícias que se tem desse termo encontram-se na mitologia caldeia, sendo o povo caldeu um povo semita (por semita entendem-se povos cuja língua e etnia são de mesma origem semítica, isto é, árabes, hebreus e fenícios), cujas raízes remontam ao século X A.C., no sul da Mesopotâmia. Naquela mitologia, o termo “mamon” era usado para personificar o dinheiro acumulado rápida e desonestamente, o que incluía a ganância, a avareza e a cobiça.

Não era uma deidade propriamente dita, mas o símbolo desses aspectos da alma humana. Assim, quando Jesus nos admoesta que não é possível servir a Deus e a Mamon, percebe-se que o sentido dessas palavras está no fato de que se Deus é o amor em sua mais que perfeita tradução, resta impossível servir a Ele e ao mesmo tempo ser servo desse aspecto tão tremendamente involuído de nosso espírito que é a ganância, a avareza e a cobiça, filhas de desmedido egoísmo.

Numa linguagem bem brasileira, vem-me à mente o aforismo “acender uma vela a Deus e outra ao diabo”, no sentido de esperar seja realizado um desejo, qualquer que seja o meio para alcançá-lo, achando que ficará garantido o agrado a quem se vir adorado, seja Deus, seja o diabo. Bem, não será do agrado de Deus certamente, pois Deus é amor e o amor passa longe do diabo, que é o nosso lado de desamor.

Pessoalmente penso que há alguns egoísmos que são necessários para que possamos cumprir algumas etapas de nossa evolução. Para que aprendamos a amar, começamos por amar nossos iguais, nosso pequeno círculo de pessoas de afinidades, pessoas que nos querem bem e que torcem por nós. A partir dessa experiência, podemos pretender começar a tentar amar pessoas diferentes de nós, ampliando o círculo e incluindo aqueles que não se importam muito conosco. E assim por diante. Mas o primeiro passo no caminho do aprendizado do amor foi egoístico, e não obstante, abriu o caminho seguinte. Assim também com a ambição. Ela é totalmente necessária para que cresçamos em nossas possibilidades, alcancemos nossos objetivos e triunfemos sobre nossas fraquezas: ambicionar uma boa colocação no trabalho, ambicionar uma família, ambicionar um bom nível de conhecimentos, ambicionar a aprovação de nossos queridos, ambicionar nossa melhora íntima, também são desejos egoísticos que podem nos elevar a um degrau acima na senda evolutiva, pois essa ambição é a mola do mundo e da vida, DESDE QUE seja moderada e que jamais fira ou humilhe os demais. É boa serva, mas má senhora.

Gostaria porém de observar que a riqueza não é um mal em si mas, como a pobreza, é uma prova e das mais difíceis. O problema na verdade são dois: primeiro, não é ser rico, mas sim como se amealhou a riqueza, e penso que o leitor já entendeu a diferença entre enriquecer em detrimento de outros com desonestidades, espertezas e subtrações ao próximo, e a riqueza consequente do trabalho honesto, da invenção premiada, no esforço intelectual, na inspiração de oportunidades oferecidas.

O segundo problema da riqueza, é como a administrar. Assim como a pobreza requer uma enorme capacidade de administração, a riqueza também assim exige: Mamon não encarna exatamente a riqueza mas o que se faz com ela. Mamon é o desejo de posse, de dominação e de apego, é o chamamento máximo da matéria como um fim em si, sem olhar à volta. Ser rico e por sua fortuna a serviço do próximo em tantos mil modos possíveis, é, ao contrário, razão para aplausos! É pois preciso ter bem claras as diferenças, a fim de que não sejamos injustos em nossos juízos e em nossas buscas de melhoras evolucionais.

Para finalizar, gostaria de dar um sentido mais amplo ao termo Mamon. Se inicialmente refere-se às riquezas materiais acumuladas e mantidas em desfavor do próximo, é lícito estender o termo “riqueza” aos bens imateriais também. De fato, podemos ser ricos de inteligência, de cultura, de erudição, de conhecimentos magníficos. Cabe lembrar que a palavra “talento” designa tanto as capacidades inatas (talento para os estudos, paras a artes, para a comunicação, etc.), como significa, na linguagem bíblica, dinheiro. Assim, do mesmo modo que a riqueza material não é um problema desde que acumulada de modo reto e usada na lembrança do próximo, as múltiplas riquezas não materiais também correm o risco de virarem Mamon: se as usarmos apenas como ornamento inútil de nosso espírito sem compartilharmos as alegrias do saber com os que tiveram menos oportunidades desse acúmulo, igualmente será Mamon, pois fechar-se na torre de marfim do conhecimento e da erudição ou, pior ainda, usarmos nossos talentos e oportunidades de cultivo intelectual e artístico para humilhar e diminuir o próximo, é atitude que não está a serviço de Deus.

Assim sendo, seja no campo material, seja no campo artístico-intelectual, temos que cultivar nossas riquezas de modo honesto e, sobretudo, com pelo menos uma das qualidades do Amor, qual seja, a empatia. Assim serviremos a Deus e não a Mamon, pois temos que escolher entre um e outro, como nos alertou o Mestre.

Texto de Laura Ligabò, colaboradora de Os Seareiros - Casa de Jesus 


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